Living The Life Without Labels

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A lição de Juvenal

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Gregorio Vivanco Lopes  

O quase-nudismo que toma conta das cidades modernas vai aproximando as pessoas da prática de se despirem completamente em público, à maneira dos selvagens e dos índios primitivos.

Para as mulheres, são shorts, micro-saias, decotes escandalosos, abdômen e costas de fora, calças apertadíssimas realçando as formas do corpo, ou roupas transparentes.

Para os homens, dispensa-se até a camisa, ao mesmo tempo em que uma espécie de bermuda põe em realce a feiura das pernas.

Tudo quanto as pessoas — homens e mulheres — têm de cicatrizes, deformidades, manchas da pele, partes malconformadas do corpo, ossos salientes, rugas, vai sendo mostrado desinibidamente.

Os modos de estar ou de sentar-se em público tornam-se cada vez mais permissivos, provocantes e degradantes.

Perde-se o senso da beleza, da dignidade, da compostura, do recato, do pudor. É a civilização que afunda aos poucos na barbárie.

E para apontar bem claramente o termo rumo ao qual se caminha, as manifestações de nudismo completo vão se tornando cada vez mais frequentes. Está ficando comum as pessoas se apresentarem nuas nas ruas para protestar contra alguma coisa. Já se fizeram protestos sem roupa contra o preço da gasolina, contra o aquecimento global, por mais ciclovias, contra as touradas, contra o consumo de carne etc. Ou seja, tais reivindicações mais parecem pretexto para propagar o nudismo do que outra coisa. Certas feministas são useiras e vezeiras desse tipo imoral de propaganda.

E, para além do nudismo, caminha-se em direção ao amor livre. Simplesmente porque não é possível pessoas conviverem nuas onde quer que seja, sem que o instinto sexual, mesmo nas suas formas mais degradantes, não se veja atiçado e chegue às últimas consequências. É o que vem sendo denunciado em certas praias nudistas.

Alega-se que é por falta de vigilância. Mas se um lugar necessita ser constantemente vigiado para que nele as pessoas não se entreguem às piores imoralidades e obscenidades, então que lugar é esse? Um bordel? Um “campo de concentração” de devassos?

Voltemos ao início destas considerações. O famoso escritor latino Juvenal (séc. II), [**] em seu livro de Sátiras, escreve: “Nemo repente fuit turpissimus” (Juvenal, Satirae 2.83) — “Ninguém fica depravado de repente”. Será que o espetáculo de seminudismo que se tornou habitual nas cidades modernas não prepara as abominações que atualmente já vêm sendo denunciadas nas praias nudistas?

Fica a pergunta para o leitor responder.

(*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM

[**] Juvenal — Falecido aproximadamente em 130 d.C., é o autor das Sátiras, em que ridiculariza os costumes da Roma pagã de sua época, contrapondo-a aos costumes severos vigentes durante a República aristocrática. Esta foi enaltecida pelo renomado escritor Cícero e pelo historiador romano Tito Lívio.

Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)

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Por que a pornografia mata o sexo

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A matéria de capa da revista TIME desta semana fala sobre uma nova iniciativa contra a pornografia na internet. Esses ativistas antipornografia, no entanto, não são os moralistas caricatos que mordem os lábios de raiva quando falam desse assunto. Ao contrário, são jovens que afirmam que a pornografia compromete o desempenho sexual na vida deles.

A capa chamou a minha atenção porque tenho visto uma situação similar apresentar-se muitas vezes com casais que procuram aconselhamento pastoral comigo. Em uma versão típica de tal cenário, um jovem casal busca ajuda porque pararam de ter relação sexual. Neste cenário típico, o marido é alguém que não consegue manter o interesse no sexo. Quando se faz as perguntas certas, descobre-se que ele está profundamente mergulhado na pornografia desde a adolescência. Não é que ele não possa, nessas situações, alcançar a mecânica do sexo para executá-lo. É que ele constata que a intimidade com uma mulher da vida real deve ser, na palavra que emerge repetidamente, “estranha”. Muitos desses homens só conseguem fazer sexo com suas esposas repetindo as cenas de pornografia em suas mentes enquanto o fazem.

O que está acontecendo aqui, então? Por que parece que a pornografia, em última instância, mata a intimidade sexual? Há muitas explicações psicológicas, para ser exato. A pornografia dessensibiliza a pessoa para o estímulo sexual, alimenta a busca por inovações intermináveis e cria um roteiro de expectativas que não atendem – e não podem atender – à dinâmica real do relacionamento pessoal. Mas penso que há algo mais acontecendo aqui.

A fim de entender o poder da pornografia, precisamos perguntar por que Jesus nos advertiu que a luxúria é errado. Não é porque o sexo é um assunto embaraçoso para Deus (vide Cantares de Salomão). Deus concebeu a sexualidade humana não para isolar, e sim para ligar. A sexualidade foi feita para unir esposa e marido e, satisfeitas as condições, resultar em novidade de vida, conectando, assim, gerações. A pornografia rompe essa conexão, convertendo o que foi feito para o amor íntimo e encarnacional em solidão masturbatória. A pornografia oferece uma emoção psíquica e uma liberação biológica tencionada para a comunhão no contexto da liberdade a partir da conexão com o outro. Ela não pode manter essa promessa.

Quando a pornografia adentra no casamento, o resultado é vergonha. Não estou me referindo ao sentimento de vergonha (embora isso possa fazer parte dela). Refiro-me a algo que está, no nível mais íntimo, oculto. Há algo dentro de nós que sabe que a sexualidade é para outra coisa que não a manipulação de imagens e partes do corpo.

A pornografia mata a sexualidade porque ela não é apenas sobre sexo e porque o próprio sexo não é apenas sobre sexo.

Na antiga cidade de Corinto, o aviso foi dado acerca das prostitutas nos templos pagãos da cidade. Elas eram pagas para a atividade sexual sem compromisso; eram parte de um sistema cúltico que atribuía quase todos os poderes místicos ao orgasmo. Em quê isso difere da indústria pornográfica de hoje? O apóstolo Paulo advertiu que as implicações de cometer imoralidade com essas prostitutas não eram apenas uma questão de consequências relacionais ruins ou um mau testemunho de Cristo mundo afora (embora estas questões também fossem verdade). Quem se juntava a uma prostituta participava de uma realidade espiritual intangível, ao unir Cristo à prostituta, ao tornar-se um com ela (1Co 6.15-19). Uma vez que o corpo é o templo do Espírito Santo, a imoralidade sexual não é apenas uma “safadeza” – é um ato de profanação do templo, de trazer um culto profano para dentro de um lugar santo do santuário (1Co 6.19).

A pornografia não é apenas imoralidade – é ocultismo.

É por isso que a pornografia possui uma atração tão forte. Ela não é uma questão meramente biológica (embora isso seja importante). Se existem, como a Bíblia ensina, espíritos maus vivos no cosmos, então a tentação envolve mais coisas do que simplesmente estar no lugar errado na hora errada. O cristão professo, não importa quão insignificante ele ou ela se sinta, é um alvo de interesse. A imoralidade sexual parece apresentar-se aleatoriamente quando, de fato, como com o jovem de Provérbios, é parte de uma expedição de caça cuidadosamente orquestrada (Pv 7.22-23).

A vergonha que surge na consciência como resultado de um episódio pornográfico – ainda mais uma vida inteira de tais práticas – só pode levar à quebra da intimidade na união em uma só carne do casamento. Desde o início da história humana, a vergonha perante Deus conduz à vergonha de um para com o outro (Gn 3.7-12). A nudez (intimidade), concebida para parecer natural, agora parece dolorosa e vulnerável – ou, como muitos homens têm colocado, “estranha”.

Se isso descreve você, dificilmente você está sozinho. O casamento é sempre difícil, sempre uma questão de guerra espiritual (1Co 7.5). A fim de lutar, a pessoa deve, primeiro, tratar a vergonha – o que significa arrepender-se do desejo de manter tudo escondido. Procure um presbítero confiável em sua igreja, e busque ajuda.

Os jovens que procuram insurgir-se contra a pornografia com a qual cresceram devem ser elogiados. Mas a pornografia é uma isca poderosa demais para ser combatida apenas pela força de vontade ou pelos movimentos sociais por si sós. Precisamos levar as cargas um do outro, por meio do vigor do Espírito Santo dentro do novo templo da igreja. Isso começa com ser honesto acerca do que a pornografia é – e o que ela faz.

Por: Russell Moore. © 2016 Copyright • Ethics and Religious Liberty Commission of the Southern Baptist Convention. Original: Why Porn Kills Sex.
Tradução:Leonardo Galdino. Revisão: Vinicius Musselman. © 2016 Voltemos ao Evangelho. Todos os direitos reservados. Website: voltemosaoevangelho.com.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.
Russell Moore serve como o oitavo presidente da Ethics & Religious Liberty Commission, da Convenção Batista do Sul. Um comentarista cultural amplamente procurado, Dr. Moore tem sido reconhecido por uma série de organizações influentes. O Wall Street Journal chamou-o “vigoroso, alegre, e ferozmente articulado”, enquanto o The Gospel Coalition referiu-se a ele “um dos moralistas mais astutos no evangelicalismo contemporâneo”. Um especialista em ética e teólogo, Dr. Moore é também ministro ordenado da Southern Baptist e autor de vários livros. Nascido no Mississipi, ele e sua esposa Maria são os pais de cinco filhos.

Fonte: Voltemos ao Evangelho.


Dave Mustaine: a própria mortalidade influenciou em suas criações

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Por Fernando Portelada, Fonte: Blabbermouth, Tradução

Em uma nova entrevista com a revista Paste, o frontman do MEGADETH, Dave Mustaine, falou sobre como sua própria mortalidade começou a influenciar o que ele cria. O músico disse: “Não quero ser redundante sobre a fonte de minhas citações, mas eu acho que Winston Churchill deve ser atribuído à citação que diz algo sobre ser mais liberal quando você é jovem, e quando você fica mais velho, você está mais inclinado a ser conservador e eu acho que muito disso faz sentido. A vida é como uma vela, e quando você chega ao final, o fogo acaba queimando com menos força.”

Ele então começou a falar: “Quero dizer, você olha para sua própria mortalidade, e as pessoas que tem só 20 anos ou menos do que eu, estão caindo como moscas. Claro que os remédios estão ajudando a aumentar a expectativa de vida, mas isso realmente lhe faz pensar no que vai ser deixado por você. Você pensa sobre isso. Scott Weiland morreu e esteve nas notícias durante dois dias e depois sumiu. Todas as grandes músicas que ele escreveu e os maravilhosos shows que ele fez, e a mesma coisa com Lemmy, mas por outro lado, a comunidade do Heavy Metal fez um grande trabalho em preservar sua memória e esse gigante nunca será esquecido, mas já está fora das manchetes. David Bowie foi um pouco mais devagar do que qualquer um deles, obviamente, mas então alguém como Glen Frey também se foi. Ele foi tão rápido para as notícias como saiu e ninguém nem comentou a morte de Natalie Cole.”

Ele adicionou: “Eu acho que sua vida é algo grandioso, mas é somente a linha entre o ano que você nasceu e o ano que você morreu. Tudo que você faz, tudo que dissemos, tudo que conquistamos, está resumindo nessa linha”.


“Deus os entregou aos desejos dos seus corações”

Gregorio Vivanco Lopes

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As seguintes afirmações do Apóstolo das Gentes são de molde a causar grande impacto:

“Conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos. […]

“Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. […]

“Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno” (Rom I, 21-28).

Tais afirmações de São Paulo se referem aos pagãos, que não conheceram Jesus Cristo. O que diria Ele dos neopagãos, que conheceram e recusaram Nosso Senhor?

Enfim, o comentário está feito. Vamos aos fatos.

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Noticia o “Globo Rural” (28-8-15): “Homem vive três dias como um bode. O inglês Thomas Thwaites, 34 anos, decidiu encarar a experiência de viver como animal”.

Para isso, “encomendou membros protéticos e passou até por um procedimento neurológico para encarar o desafio”.

Ele explica como tomou a decisão: “Um dia, eu estava indo atrás do cão do meu sobrinho e ele estava correndo e latindo com grande prazer. Então pensei que seria ótimo ter uma temporada abandonando o meu lado humano. Thomas consultou então um xamã, que lhe indicou que ele deveria ser um bode!

Ele conta que passou por uma estimulação magnética transcraniana, procedimento em que um potente eletroímã é posto perto da cabeça, com a finalidade de cortar a atividade perto do cérebro. “Foi capaz de parar a minha capacidade de falar, temporariamente!”.

Thomas dormiu, conviveu e tomou água com os bodes nos Alpes.

A “experiência” não é simplesmente a de um louco, mas parece fazer parte de um plano para degradar o gênero humano. É pelo menos o que se deduz do fato de que “a transformação de Thomas foi financiada pela Wellcome Trust, instituição independente, criada em 1936, que visa melhora na qualidade da saúde de homens e animais”!!!

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O site de notícias R7 informa que um artista performático australiano, Stelios Arcadiou (Sterlarc), 69 anos, fez um implante de orelha no próprio braço.

A orelha extra que Sterlarc implantou no braço foi cultivada através de cultura celular, para mais tarde ser colocada no seu novo lugar através de cirurgia.

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O que pensar diante de tais monstrificações voluntárias da natureza humana? Os antigos pagãos foram varridos da face da Terra. O que sucederá aos novos?

(*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM

Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)


“Os jovens matam porque foram esquecidos pelo estado” – um mito favorito da esquerda

Enterro de uma das vítimas do estupro coletivo em Castelo do Piauí

Enterro de uma das vítimas do estupro coletivo em Castelo do Piauí

 

Por

O naturalista suíço Louis Agassiz tinha uma obsessão pelo racismo científico. Acreditava que as etnias eram espécies humanas separadas e que misturá-las transformava os homens em delinquentes e degenerados.

Ao visitar o Brasil, em 1865, Agassiz deu uma olhadela pelas ruas do Rio de Janeiro e pensou ter entendido a causa da pobreza e da criminalidade do país. “Quem duvida dos males da mistura de raças que venha ao Brasil, pois não poderá negar uma deterioração decorrente da amálgama de raças”, escreveu ele.

Agassiz foi vítima de dois erros. O primeiro é a falácia de relação e causa. Ele observou dois fenômenos acompanhados (mestiçagem e pobreza) e acreditou que um era a causa do outro. Também usou suas próprias bandeiras políticas para explicar o mundo — uma armadilha mais ou menos assim: “eu defendo X; se algo acontece de errado no mundo, eu vou logo acreditar que é por falta de X e que não há outra solução senão X”.

Muita gente comete esses mesmos erros ainda hoje. De forma tão descuidada quanto o naturalista suíço, estão usando suas bandeiras políticas — a educação pública, a luta contra a miséria e a desigualdade — para explicar por que os jovens cometem crimes.

Por exemplo, quando o ciclista foi esfaqueado na Lagoa Rodrigo de Freitas por menores de idade, o jornal Extra sugeriu que os garotos se tornaram assassinos porque não tinham ido para a escola:

 

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Já a jornalista Claudia Colucci, ao falar sobre o silêncio ao redor do terrível estupro de quatro jovens no Piauí, parece ter esclarecido o que motivou os quatro menores envolvidos no crime:

Quem são esses menores? Semianalfabetos, usuários de drogas, miseráveis, com famílias desestruturadas e com histórias de loucuras, abusos e abandono.

É o caso de perguntar: o analfabetismo e a pobreza, que atingem dezenas de milhões de brasileiros, levam mesmo os homens jovens a raptar, torturar, estuprar, furar os olhos, apedrejar e jogar do penhasco meninas indefesas?

É verdade que, em muitos casos, a baixa educação e alguns fatores econômicos acompanham a violência. Mas daí há um bom caminho para provar que um é a causa do outro. É bem provável, por exemplo, que as centenas de piauienses que foram ao enterro de uma das vítimas e se consternaram com o caso tinham o mesmo perfil de escolaridade e renda dos agressores.

O próprio Piauí contraria a tese de que a miséria causa violência. Depois do Maranhão, é o estado mais pobre do Brasil. E um dos menos violentos — a taxa de homicídios só é menor em São Paulo e Santa Catarina.

Agora, imagine se multiplicássemos a população do Piauí por cinquenta e cortássemos 40% do seu território. Chegaríamos a um país como Bangladesh, onde 150 milhões de miseráveis convivem com uma das menores taxas de homicídio do mundo – apenas 2,7 homicídios por 100 mil habitantes, um décimo da taxa brasileira.

O perfil de internos de prisões para menores de idade também contraria a crença de que agressores são vítimas da miséria. Uma pesquisa da Fundação Casa de Campinas de 2013 mostra que, de 277 internos, 80% vêm de famílias com casa própria, e metade têm renda superior a 2 mil reais. As taxas de escolaridade dos menores presos eram similares às de fora da cadeia.

Se não é a pobreza, seria então a desigualdade o motor da violência? Essa eu deixo com o psicólogo americano Steven Pinker, autor de um excelente compêndio sobre violência humana, o livro Os Anjos Bons da Nossa Natureza. Pinker aponta uma falácia de relação e causa: países mais desiguais geralmente são mais violentos, mas isso não quer dizer que desigualdade cause violência:

O problema de invocar a desigualdade para explicar mudanças na violência é que, embora ela se correlacione com a violência se compararmos estados e países, não se correlaciona com a violência ao longo do tempo em um estado ou país, possivelmente porque a verdadeira causa das diferenças não é a desigualdade em si, mas características estáveis como a governança do estado ou a cultura, que afetam tanto a desigualdade como a violência.

Um exemplo que Pinker fornece é o dos Estados Unidos: a desigualdade atingiu um mínimo em 1968, quando a criminalidade estava no auge, e subiu entre 1990 e 2000, enquanto a violência despencou.

Outra razão sempre citada são as famílias desestruturadas. Crescer sem o pai ou a mãe leva os jovens ao crime? Difícil saber. Segundo o IBGE, em 16% das famílias brasileiras, a mãe cuida sozinha dos filhos (famílias só com o pai e os filhos são outros 2%). Mas 0,01% dos adolescentes comete crimes violentos (a confiar na estatística de quem é contra a redução da maioridade penal).

O mais provável, nesse caso, é a relação inversa: em ambientes com maior criminalidade, é mais comum haver mães solteiras. Os filhos delas acabam virando criminosos não por falta do pai, mas porque crescem num ambiente criminoso.

Pinker tem um raciocínio parecido:

Embora filhos indesejados possam vir a cometer crimes ao crescer, é mais provável que as mulheres em ambientes propensos ao crime tenham mais filhos indesejados do que a indesejabilidade cause diretamente o comportamento criminoso.

A ideia de que a ausência do estado causa todos os problemas do mundo é sedutora. Mas na hora de estudar as origens da violência é melhor deixar ideologias de lado.

______________________

Uma recente manchete da Folha de S. Paulo reproduz a denúncia que publiquei há dois meses.  A afirmação de que adolescentes cometem menos de 1% dos crimes violentos é falsa, baseada numa estatística que não existe.

A reportagem foi além e descobriu dados interessantes. Em sete estados, a participação de menores nos crimes violentos é igual ou superior a 10%. No Ceará e no Distrito Federal, de acordo com as secretarias de segurança, os crimes cometidos por menores de idade passam de 30% do total.

 

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Valeria a pena cavoucar um pouco mais os dados fornecidos pelos governos estaduais. Esses 30% no Ceará e no Distrito Federal parecem tão falsos quanto o “menos de 1%” divulgado pelo governo Dilma.

Homens adolescentes são mais violentos que a média da população, mas não mais violentos que adultos jovens. Em quase toda sociedade humana, o comportamento violento começa aos 15 anos e atinge o pico entre os 18 aos 24 anos. Seria necessário que os menores de idade fossem uma parcela muito alta da população para serem responsáveis por tantos crimes.

Leandro Narloch é jornalista e autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, e do Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, além de ser co-autor, junto com o jornalista Duda Teixeira, do Guia Politicamente Incorreto da América Latina, todos na lista dos livros mais vendidos do país desde que foram lançados.

Que tal boicotar todas as marcas que apoiam os direitos LGBT?

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O comercial do Dia dos Namorados elaborado pela marca de cosméticos e perfumes O Boticário se transformou na maior batalha nas redes sociais desde as eleições do ano passado.

A peça publicitária mostra diversos casais se presenteando no dia 12 de junho, entre eles um casal formado por dois homens e outro, por duas mulheres. A reação das camadas mais conservadoras da sociedade foi intensa: primeiro, tentando mobilizar as pessoas para votar em “não gostei” no vídeo no YouTube. Em seguida, teve quem defendesse o boicote à marca devido ao apoio à população LGBT.

A internet, é claro, não perdoou e logo começou a citar a incoerência do raciocínio. Assim, surgiu o Tumblr Aproveita e Boicota Também – que, como o próprio título mostra, dá a dica de todas as marcas que o pessoal precisaria boicotar pra manter a coerência.

Afinal, a inclusão de casais homossexuais em propagandas não é nada de novo. A tradicionalíssima joalheria Tiffany já fez isso no início do ano e aqui mesmo no Brasil a companhia aérea Gol incluiu dois homens em seus comercias do Dia das Mães.

Dentre as marcas citadas no Tumblr, estão algumas das mais conhecidas e poderosas empresas do mundo, como o Mc Donald’s, a Coca-Cola, a Pixar e o Facebook. Quem quiser levar adiante a ideia terá dificuldade em dizer adeus a todos os produtos dessas marcas, veja mais campanhas publicitarias pró-LGBT pelo mundo!

Em uma recente peça publicitária na Holanda, a Coca se posiciona: “Nós escolhemos a felicidade em vez da tradição”:

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A página do Facebook em português da Motorola fez um post celebrando as mais diversas formas de amor:

Escolha amar quem te completa, quem te faz feliz. Escolha amar da sua maneira, pode ser de um jeito intenso ou sereno. #EscolhaOAmor e prepare-se para celebrar a diversidade das escolhas! (>^_^)>♡<(^o^<)

Posted by Motorola on Terça, 2 de junho de 2015

No exterior, a rede de cafeterias Starbucks e o sorvete Magnum, da Kibon, já fizeram comerciais com drag queens:

A gigante Unilever, que controla mais de 400 marcas como Axe, Dove, Seda, Omo e Rexona, colocou um beijo entre dois rapazes nesse anúncio de um xampu:

Fonte: POP


O heavy metal na ciência: pesquisadores usam estilo musical em seus estudos

Daniel Buarque
Do UOL, em São Paulo

A ciência comprova: jovens superdotados gostam mais de heavy metal de que de outros estilos musicais, e pesquisas acadêmicas dizem ainda que homens que gostam de metal são mais atraentes para mulheres. Por outro lado, estudos revelam que fãs de rock pesado são mais imprudentes, depressivos e correm o risco de machucar o cérebro e o pescoço ao agitar as cabeças para cima e para baixo no ritmo do som pesado.

Não são poucos os estudos científicos realizados em algumas das mais importantes universidades do mundo envolvendo o heavy metal. Só uma busca no site de USP tem 1.250 referências para música e heavy metal, desde artigos e pesquisas acadêmicas até arquivos de jornais e revistas, mesmo que a maioria das referências seja de citações do termo em textos relacionados a outros assuntos.

Já a Biblioteca Britânica, um dos maiores arquivos do mundo, tem 1.025 retornos para a busca por “heavy metal” e “música”, enquanto o arquivo da biblioteca do King’s College, de Londres, uma das melhores universidades do mundo, oferece 3.415 referências para estudos acadêmicos acerca do heavy metal (o estilo musical, não confundir com estudos químicos e de medicina sobre metais pesados).

As pesquisas vão desde assuntos curiosos e engraçados, como a relação entre atração sexual e preferência musical, até análises de física cinética que comparam o movimento dos roqueiros em rodas de pogo (dança em que eles se empurram e dão cotoveladas uns nos outros em frente ao palco) com a dispersão de gases.

O UOL reuniu abaixo oito das mais interessantes pesquisas acadêmicas relacionadas ao heavy metal no mundo.

1 – Metaleiros superdotados

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Em 2007, uma pesquisa da Academia Nacional para Jovens Talentosos e Superdotados da Universidade de Warwick, no Reino Unido, apontou uma relação entre heavy metal e estudantes superdotados. Estudantes que se identificaram com a subcultura metaleira disseram que o heavy metal pode ser usado como instrumento de catarse, com a música normalmente agressiva e em alto volume usada para liberar as suas frustrações e irritações.

O estudo descobriu que rock era o estilo mais popular entre os jovens gênios e que, de fato, havia uma associação entre os estilos musicais e a personalidade dos estudantes: os que dizem gostar de heavy metal teriam uma autoestima mais baixa do que os outros.

Os pesquisadores Stuart Cadwallader e Jim Campbell avaliaram 1.057 alunos entre 11 e 18 anos e suas respostas sobre família, escola, lazer e mídia, além de opiniões sobre gosto musical. “Talvez as pressões associadas ao talento e a superdotação possam ser temporariamente esquecidas com o auxílio da música”, escreveu Cadwallader, em um trecho do trabalho. “Como um estudante sugeriu, talvez jovens mais inteligentes se sintam mais pressionados do que os outros e usem a música para lidar com isso.”

2 – Física da roda de pogo

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O movimento de metaleiros em uma rodinha daquelas abertas durante os shows, que pode ser confundida com uma briga pelos desavisados, se assemelha ao comportamento de partículas gasosas, segundo um estudo do departamento de física da universidade de Ithaca, nos Estados Unidos.

Cientistas desenvolveram uma pesquisa sobre o movimento do pogo, como ficou conhecido esse estilo de dança praticado por metaleiros e punks, e alegaram que “shows de heavy metal são modelos únicos para estudar o movimento coletivo humano de forma confiável, consistente e ética”. O nome do estudo é “Movimento Coletivo de Humanos em Rodas de Pogo em Shows de Heavy Metal”, e ele foi publicado em 2013.

Um grupo de quatro pesquisadores se debruçou sobre vídeos da internet que mostram as rodas em shows de metal para estudar a forma como se dava o movimento dos envolvidos. “Descobrimos que esses grupos sociais extremos geram comportamentos igualmente extremos: um estado de desordem semelhante a um gás no chamado ‘mosh pit’ [roda de pogo em que os participantes batem de frente] e um movimento ordenado como um vortex, no que é chamado de ‘circle pit’ [roda de pogo em que eles correm em círculos, empurrando uns aos outros]. Os dois fenômenos são reproduzidos em simulações de movimento de manada, demonstrando que o comportamento coletivo humano é consistente com as previsões de modelos simplificados.”

“Em ‘mosh pits’ tradicionais, os participantes se movimentam aleatoriamente, colidindo uns contra os outros de forma não dirigida.” Segundo o estudo, “este fenômeno se assemelha à cinética das partículas gasosas, embora ‘moshers’ sejam agentes com autopropulsão que experimentam colisões dissipadoras e existem em uma densidade muito mais elevada do que a maioria sistemas gasosos.”

3 – Abraçados ao caos

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As rodas de pogo formadas por metaleiros também foram estudadas por uma pesquisadora do Canadá, que desenvolveu uma análise dos “mosh pits” sob o ponto de vista cultural. Segundo ela, “‘moshing’ é uma forma de dana ritualizada e furiosa que combina a agressão física com exibição coletiva de emoções”.

O trabalho buscou entender o que leva os frequentadores a entrarem em espaços nos quais, aparentemente, os movimentos dos participantes geram completo caos e violência. “O ‘mosh pit’ é considerado parte vital da experiência de ir a um show, oferecendo uma oportunidade para fãs de metal jogarem com aspectos mais obscuros da existência, subvertendo convenções sociais normativas e liberando frustrações mundanas enquanto fortalece o senso de comunidade.”

O trabalho de Gabrielle Riches foi publicado em julho de 2011 no “Journal for Cultural Research”. Seu título é “Abraçando o Caos: Rodas de Pogo, Música de Metal Extremo e Liminaridade”. Riches ainda aproveita a pesquisa para apresentar a história dessas rodinhas. Segundo ela, o termo surgiu no início dos anos 1980 em Washington, DC, graças à banda punk Bad Brains, que costumava usar o termo “mash” (amassar, esmagar) em suas letras, incentivando danças violentas em frente ao palco. Segundo a pesquisadora, o sotaque forte de H.R., o vocalista da banda, levou os fãs a entenderem erroneamente “mosh”, e o termo acabou se espalhando.
4 – Metaleiros imprudentes

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Adolescentes que gostam de rock pesado têm comportamentos mais imprudentes, passando a ser mais irresponsáveis em relação à direção de veículos, à vida sexual, ao uso de drogas, e até mais próximos de atividades criminosas, segundo uma pesquisa de psicologia realizada na virada da década de 1980 para os anos 1990. O estudo “Música Heavy Metal e Comportamento Imprudente entre Adolescentes”, de Jeffrey Arnett, comparou adolescentes que ouvem heavy metal com outros que não gostam do estilo e descobriu que os fãs de rock pesado são diferentes e têm autoestima mais baixa.

Com um olhar que hoje pode ser considerado cheio de preconceitos, a pesquisa cita protestos de associações de pais dos EUA nos anos 1980 contra o heavy metal, alegando que o estilo promovia comportamentos perigosos como promiscuidade, uso de drogas e satanismo.

A pesquisa até tenta fugir do preconceito ao falar que a relação não indica causa, mas diz que a relação entre a preferência musical por metal e diferenças de comportamentos é real. “Pode se dizer que a atração pelo heavy metal reflete um alto nível de busca por sensações, e o alto nível de comportamento imprudente reflete o fracasso em dirigir essa busca por sensações através de canais socialmente aceitos.”

5 – Roqueiros depressivos

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Adolescentes que gostam de heavy metal têm uma tendência “significativamente mais alta” a comportamentos depressivos do que adolescentes que preferem outros estilos musicais, segundo uma pesquisa de psicólogos da Turquia.

Segundo o artigo acadêmico “A Associação da Preferência Musical e Sintomas Depressivos em Estudantes do Ensino Médio”, o percentual de estudantes com relações problemáticas com os pais era mais alto entre os jovens que gostam de heavy metal. O estudo analisou 1.226 estudantes de quatro escolas de Istambul, dos quais 27,7% indicaram o rock como estilo musical preferido.

Os pesquisadores defendem que a música tem um importante impacto na vida dos adolescentes, independentemente do gênero, e que ela é uma forma de refletir os sentimentos, valores, necessidades e conflitos dos jovens.

6 – Torcicolo de quem “bate cabeça”

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Uma música de heavy metal tem em média 146 batidas por minuto, o que pode causar danos leves no cérebro e no pescoço quando o metaleiro sacode a cabeça para cima e para baixo em um movimento com amplitude maior do que 75 graus. Esta é a conclusão do estudo “Danos à Cabeça e ao Pescoço no Heavy Metal”, da universidade australiana New South, publicado em 2008. Quanto maior a velocidade da música, maior o risco de ferimento no pescoço.

“Jovens que vão a shows de heavy metal costumam se sentir tontos e confusos, possíveis sintomas de dano traumático leve ao cérebro”, diz a pesquisa, que explica que “bater cabeça” (headbanging, em inglês), “é uma atividade violenta associada com rock pesado e vários subgêneros do heavy metal”. Para minimizar o risco de ferimentos, os “batedores de cabeça” ou “headbangers” devem diminuir a amplitude do movimento de cabeça e pescoço. Outras precauções são bater cabeça em músicas mais lentas ou mexê-la em batidas alternadas. Outra opção é usar equipamento de proteção.

O estudo ainda explica que o termo “bater cabeça” surgiu em 1968 em um show do Led Zeppelin em Boston. Durante a apresentação, as filas do público na frente do palco balançavam as cabeças no tempo da música, dando origem à expressão.

7 – Sem esperança

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A história do heavy metal é marcada por processos judiciais nos EUA em que músicos foram acusados de incentivar o suicídio de jovens. Mesmo que isso seja parte de uma postura preconceituosa em relação ao estilo, um estudo acadêmico publicado em 1998 revelou que há ligação entre gostar de heavy metal e a aceitação do suicídio por conta da “exposição a uma cultura de caos pessoal e social marcada pela falta de esperança”.

Segundo Steven Stack, autor de “Heavy Metal, Religiosidade e Aceitação do Suicídio”, não é possível dizer de forma direta que metaleiros são suicidas, mas existe evidência para uma ligação entre o estilo musical e suicídios. “Caos é o tema que distingue o metal das outras formas de rock surgidas antes dele. O caos tem duas dimensões no metal: pessoal e social”, diz um trecho do estudo.

O trabalho também defende que essa relação deixa de ser significativa quando o nível de religiosidade é controlado. “Fãs de metal têm baixa religiosidade, o que contribui, por sua vez, para uma maior aceitação do suicídio.”

8 – Metaleiros atraentes

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Homens que gostam de heavy metal são mais atraentes de que os que gostam de outros estilos musicais, segundo o estudo “Efeitos da Associação a Gêneros Musicais na atração Heterossexual”, desenvolvido em 1989 por Dolf Zillmann e Azra Bhatia.

Segundo a pesquisa, a preferência por música country diminui a atração em entrevistados dos dois sexos. Por outro lado, a devoção à música clássica e ao heavy metal teve uma reação específica por gênero.  O fascínio pela música pesada aumentou muito o apelo dos homens e diminuiu o apelo das mulheres. Enquanto a adoração por música clássica teve consequências contrárias, aumentando o apelo das mulheres e diminuindo o de homens.

Na pesquisa, estudantes universitários foram convidados a estimar traços de comportamento e avaliar a quantidade de desejo por um potencial encontro heterossexual.  O estudo descobriu que a revelação da preferência musical tem influência sobre a atração heterossexual, assim como a percepção e a avaliação dos traços pertinentes. O estudo revelou ainda que as mulheres não preferem necessariamente homens que têm as mesmas preferências musicais que elas, enquanto homens se sentem mais atraídos por mulheres que têm os mesmos gostos que eles.

Fonte: UOL