Living The Life Without Labels

David Ellefson: curtindo a vida no Megadeth mais do que nunca!

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Traduzido por Carla L Fillardi | Fonte: Lithium Magazine

Embora não tendo laços de sangue, há uma conexão profunda e um afeto e admiração verdadeiros entre os dois Daves, que formam o coração, a alma e a grandiosidade musical de uma das bandas de heavy metal mais populares e influentes de todos os tempos – MEGADETH.

Não muito depois de ser chutado de uma banda novata de thrash metal chamada METALLICA, DAVE MUSTAINE começou a se encontrar com o baixista DAVID ELLEFSON para escrever músicas para um novo projeto. Os dois se grudaram como irmãos lá no início dos 1980s e essa conexão tem sobrevivido a alguns períodos tumultuosos. Com problemas em alguns momentos, cheio de alegrias em outros, MUSTAINE e ELLEFSON perseveraram e são verdadeiramente os líderes emocionais e espirituais de uma banda que já vendeu mais de 50 milhões de álbuns, fez turnês pelo mundo e ajudou a influenciar uma geração inteira de headbangers.

E tem muito mais vindo por aí à medida que os membros da banda, que inclui também o baterista canadense SHAWN DROVER (na banda desde 2004, desde a reforma da mesma após um hiato de 2 anos) e o habilidoso instrumentista CHRIS BRODERICK, que tem estado no MEGADETH pelos últimos seis anos, estão trabalhando atualmente no material para um novo álbum.

A banda tem se mantido notavelmente criativa ao longo dos últimos anos, lançando três álbuns de estúdio desde 2009: “Endgame” (2009), “TH1RT3EN” (2011) e “Super Collider”, em 2013. Houve também um álbum ao vivo e turnês enormes celebrando os aniversários de 20 anos dos álbuns de maior sucesso da banda, “Rust In Peace”, “Countdown to Extinction” e “Youthnasia” [N.T. A turnê de comemoração de “Rust In Peace” começou em março de 2010 nos Estados Unidos e continuou pela América Latina em abril e maio; a turnê comemorativa de “Countdown to Extinction” começou em setembro de 2012 na América Latina e seguiu depois pelos Estados Unidos; e até o momento, não foi confirmado por parte do MEGADETH uma turnê comemorativa do “Youthnasia”, apesar dos mal-entendidos que cercaram a turnê na América Latina no início deste ano de 2014]. Em 2010, eles dividiram o palco com o METALLICA, SLAYER e ANTHRAX, como parte da turnê sem precedentes e enormemente bem sucedida do “Big Four”, unindo de uma só vez as quatro maiores bandas de thrash metal do planeta.

Dias agitados para o MEGADETH; ELLEFSON disse que ele e MUSTAINE estão apreciando cada momento, especialmente o processo criativo para o próximo álbum, que será o 15º da banda. Uma mensagem recente no website da banda mostrou os dois Daves concentrados no pequeno e aconchegante estúdio caseiro de MUSTAINE, de instrumentos em mãos e sorrisos em ambas as faces.

“Isso sempre começou com Dave com uma guitarra nas mãos, explodindo alguns riffs. E o que era tão irado naqueles primeiros dias era que eu estava exatamente lá com ele. Eu captei a visão do que era a banda e eu fui o primeiro cara a dizer ‘Eu estou dentro’. Diversos outros caras queriam algo que fosse confortável ou convencional ou estavam apenas interessados no dinheiro – eu e Dave estávamos entrelaçados nisso antes que houvesse sequer uma banda chamada Megadeth”, ELLEFSON contou à Lithium Magazine, da sua casa na Califórnia, enquanto se preparava para a apresentação da banda no Canadá, nesse final de semana, no Amnesia Festival [N.T. o Amnesia RockFest 2014 ocorreu nos dias 20 e 21 de junho]. O MEGADETH voltará ao Canadá em 19 de julho para um show no Casino Rama.

“E o que foi tão irado dessa semana passada foi eu e Dave sentados no estúdio, três décadas depois, fazendo em junho de 2014 exatamente a mesma coisa que estávamos fazendo em junho de 1983. Que foi quando estávamos juntando idéias musicais, o lineup [N.T. conjunto de músicos de uma banda] estava se formando e rolavam umas discussões sobre como chamaríamos a banda. Esse mesmo tipo de processo e sentimento aconteceu nessa última semana.”

“Nós saímos para tomar café da manhã um dia e eu então falei para ele, ‘você sabe o que está acontecendo lá naquele pequeno estúdio, isso é MEGADETH. Apesar de todas as mudanças, todas as pessoas que entraram e saíram, o dinheiro, o sucesso, seja o que for – no final do dia, aquele pequeno momento lá com apenas nós dois sentados concentrados em nossos instrumentos, tocando na boa alguns riffs, isso é MEGADETH.’ E ele concordou.”

O termo ‘irmãos’, às vezes, não é levado a sério quando se trata de relações entre membros de times ou de bandas, mas não poderia haver uma maneira mais correta de descrever o nível de intimidade e a força da banda entre MUSTAINE e ELLEFSON. E como até mesmo nas relações familiares, eles podem se desentender seriamente. Em um ponto, os dois ‘irmãos’ se envolveram num conflito judicial estabelecido por ELLEFSON e que se estendeu por alguns anos antes de chegarem a um acordo, evitando um julgamento. Isso significou uma separação da banda que ele amava, que começou com o hiato de 2002 [N.T. quando David Mustaine sofreu o incidente no nervo do braço esquerdo], e terminou apenas oito anos depois, quando ele voltou à banda a tempo da turnê do ‘Endgame’, em 2010.

Mas, algumas vezes, essas dificuldades acabam aproximando as pessoas porque elas percebem o que está em jogo e que a amizade e a relação criativa é mais importante do que o lado do negócio da indústria musical.

“No mês passado meu irmão faleceu de câncer, e a banda estava pronta para subir ao palco em primeiro de maio, em Buenos Aires. Nós estávamos no camarim e Dave veio até mim e disse, ‘ei cara, como vai seu irmão?’ E eu então desabei e comecei a chorar e disse, ‘não tá bem. Eu recebi uma ligação hoje.’ E, cara, ele me socorreu e me reanimou de uma maneira que ninguém mais fez ou poderia porque ele me conhece a tanto tempo. Ele é íntimo da minha família. Ele conhecia meus irmãos, minha mãe e ele conhecia meu pai antes dele falecer. Então, nós somos tão próximos quanto dois irmãos podem ser, às vezes até mais chegados, sem sermos parentes de sangue,” ELLEFON disse.

“E é legal e interessante como naquele momento, em que eu enfrentava a perda de meu irmão, de diversas maneiras Dave e eu nos aproximamos mais. Ele realmente ficou do meu lado como o irmão que eu nunca tive e como o irmão que eu não tenho mais. Isso diz muito sobre a conexão entre nós e dentro da banda.”

“Assim como existem muitas coisas disponíveis sobre o MEGADETH, também há bastante de portas fechadas, momentos particulares em que somos apenas nós dois ou nós quatro sozinhos em uma sala. Especialmente antes de subirmos ao palco, nós temos aqueles 30 minutos trancafiados, quando ninguém entra e ninguém sai. Somos apenas nós quatro. E eu te digo, o falecimento de meu irmão aproximou também todos nós quatro do MEGADETH. E de uma forma estranha, foi um presente irado que meu irmão nos deu ao sair.”

Quanto ao MEGADETH, enquanto força criativa, ELLEFSON disse que a banda está num ponto em sua carreira em que há zero de preocupação em relação a tendências ou demandas da indústria. O MEGADETH está pronto para se focar apenas em fazer a excelente música do MEGADETH que inspira os quatro membros da nada e, conseqüentemente, os milhões de fãs ao redor do mundo.

“Você não pode esperar que a grandeza aconteça se você não estiver pronto para a grandeza. E eu acho que está é a fase em que estamos agora. Apenas estando no quarto juntos, todas as mãos a postos com nossos instrumentos, no ponto para colocar as idéias na mesa, é onde estamos. Nós estamos preparados para aqueles momentos grandiosos de baixar os braços de nossas guitarras,” ele disse.

“Nós não temos que procurar agradar os outros fazendo vídeos ou coisas que a mídia espera que façamos – os tão conhecidos formadores de opinião do negócio. Nós podemos apenas relaxar sendo o MEGADETH porque nossos fãs, evidentemente agora depois de três décadas, são aqueles que nos fizeram e enquanto tocarmos as músicas que gostamos, eles parecem gostar disso, e então nós todos podemos curtir juntos.”

“Nós estamos muito distantes de nos preocupar com essas coisas. As regras do que faz um álbum de sucesso não se aplica mais. A indústria de gravação mudou muito, mas felizmente os fãs de heavy metal estão com você para todo o sempre. Nós somos o antídoto para a indústria musical. Nós somos o antídoto para a cultura pop. O que quer que seja mais conhecido ou popular, nós somos a antítese disso. É o que o heavy metal sempre foi. Enquanto criarmos riffs que nos façam querer bangear nossas cabeças e marcar com nossos pés quando estamos gravando, é tudo o que importa, porque esse momento que sentimos no estúdio é que se traduz como o efeito de uma onda através dos fãs em todo o mundo.”

Há vinte anos, o conceito de bandas de grandes nomes tocando em cassinos ou navios de cruzeiro era visto como evidência de declínio. Mas, hoje, esses locais estão sempre proporcionando as melhores experiências ao vivo, som e coisas relacionadas com o show tanto para as bandas quanto para seus fãs.

“A indústria dos concertos mudou porque a indústria de gravações mudou. Um monte dessas circunstâncias não tem nada a ver com a gente, nada a ver com nossa música. Embora, muito provavelmente isso tenha a ver com o fato de que cassinos, cruzeiros e grandes eventos estaduais de competições e entretenimento [N.T. ele está se referindo a eventos tradicionais que ocorrem anualmente nos estados dos Estados Unidos], em determinado ponto, eram de certo modo mau vistos. Mas agora, quando você tem a oportunidade de tocar nesse tipo de eventos, mostra que você realmente chegou, que você deixou sua marca de forma extraordinária – e, no nosso caso, de forma global,” ELLEFSON disse.

“Se você realmente quer ser um músico profissional em tempo integral, parte dos requisitos é que você esteja preparado para ir a todo e qualquer lugar para tocar sua música para as pessoas. E, ao longo dos anos, tocar em arenas de basquete ou hockey era visto como o ponto de referência e, em geral, são os piores locais em termos de som do mundo, mas eram os únicos lugares para bandas da nossa envergadura tocar.”

“Nos dias de hoje e com a nossa idade, cassinos como o Casino Rama tem quantidades consideráveis de dinheiro, então eles não apenas têm locais realmente bons, de alta qualidade, para concertos que são realmente feitos para se produzir música, mas os fãs têm alguma coisa para fazer durante o dia todo. Eles podem reservar um quarto de hotel, eles podem passar o tempo ali, comer em bons restaurantes, o que acaba proporcionando uma experiência legal e bem diversa de concerto.”

E não há dúvidas de que os fãs que irão ao Casino Rama, em 19 de julho, terão exatamente isso – uma experiência legal, diversa, bem como agitada e de bater as cabeças, com um dos mestres do metal.

Por Jim Barber.

 
Fonte: David Ellefson: curtindo a vida no Megadeth mais do que nunca! http://whiplash.net/materias/entrevistas/205812-megadeth.html#ixzz35mA3HEso

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