Living The Life Without Labels

Televisão

O guitarrista de Korn diz que os ataques da comunidade cristã são “realmente desanimadores”

O guitarrista Brian “Head” Welch de Korn foi entrevistado recentemente no programa de entrevistas “Real Talk” de Justin Miller ((a.k.a. Pastor J), pastor principal da Real Life Christian Church. Você pode assistir as imagens no vídeo que aparece abaixo.

Welch, que deixou o Korn em 2005 depois de se tornar um cristão e retornou à banda oito anos depois, falou sobre a crítica que recebeu dos membros mais conservadores da comunidade cristã por fazer parte da cena do rock secular, que muitos acreditam ser sombria e mal.

“Eu passei por uma mentalidade religiosa antes também, e eu lembro que eu disse ao baixista do Korn que eu estava, tipo, ‘Como você pode ir tocar essas músicas, bro? Você deveria vir comigo. Nós faremos outra coisa por conta própria “, admitiu Welch. “Então eu entendi isso, eu não estava atacando ele como as pessoas fazem on-line, mas eu tenho essa mentalidade, então eu tento não ficar muito louco, mas quando eles te atacam, fica realmente desanimador, e é difícil não ficar amargo Mas estou tentando encorajar as pessoas a fechá-lo, cara, porque se você não está amando, então está perdendo tudo.”

Ele continuou: “Sabe, ‘o amor é paciente, o amor é amável’, diz Paulo em I Coríntios 13, e não rude. E todos eles são rudes lá fazendo isso. Então eu chamo de gangsters de teclado, porque eles estão atrás do computador do teclado e eles nunca falariam desse jeito com as pessoas, mas online, eles são [viciosos], e por isso é realmente desanimador “.

O guitarrista acrescentou: “Eu apenas diria, vocês devem apenas … você tem que quebrar isso, cara. Isso é tudo sobre amor, e é como, deixe o Senhor ensiná-los lentamente através das Escrituras e tudo o que deixar vai em suas vidas e no tempo.Talvez vai demorar anos para algumas pessoas para deixar as coisas fluírem , mas temos que dar-lhes paciência. ”

Ambos Welch e o baixista do Korn Reginald “Fieldy” Arvizu tiveram altamente público, embora separado, experiências de conversão, aqueles que foram saudados com um certo montante de ceticismo.

Welch se juntou ao Korn por causa de algumas apresentações ao vivo em 2012 antes de se tornar oficialmente parte da programação novamente no início de 2013.

O livro de memórias de Fieldy, “Got The Life: My Journey Of Addiction, Faith, Recovery And Korn”, detalha suas lutas com o vício de drogas e álcool durante os primeiros anos de Korn e como ele se tornou um cristão nascido de novo para ajudar como sóbrio.

Traduzido de Lanomia’s Lair


Orival Pessini, criador do Fofão e Patropi, morre aos 72 anos

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Morreu na madrugada desta sexta-feira (14) em São Paulo Orival Pessini, criador do Fofão e Patropi. O ator e humorista de 72 anos tinha câncer no baço e estava internado no Hospital São Luiz, no Morumbi, na Zona Sul da capital.

Álvaro Gomes, empresário do ator, afirmou por meio do Facebook que Pessini faleceu às 4h.

“Uma pessoa que trouxe alegria a várias gerações com seu humor adulto ou para as crianças, com o Fofão”, disse.

Nascido em Marília (SP) em 1944, Pessini iniciou a carreira no teatro amador e atuando em comerciais. Estreou na TV em 1963, no infantil “Quem conta um conto”, da TV Tupi. O sucesso viria anos depois, com os personagens Sócrates e Charles, do “Planeta dos Homens” (Globo).

O Fofão foi criado em 1983, para o programa “Balão Mágico” (Globo). O alienígena atrapalhado de enormes bochechas, nascido no planeta fictício “Fofolândia”, tornou-se um dos mais populares personagens infantis dos anos 1980.

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Em 1986, migrou para a Rede Bandeirantes, onde estreou um programa inteiramente dedicado ao monstrinho. O “TV Fofão” ficou no ar até 1989.

Antes do fim da atração, criou outro personagem de sucesso, o Patropi, para o programa “Praça Brasil”. Um típico hippie universitário, o personagem tornou famosos bordões como “Sei lá, entende?!” e “Sem crise, meu!”. Como Patropi, participou ainda do “A Praça É Nossa” e “Escolinha do Gugu”, ambos do SBT, “Escolinha do Professor Raimundo” (Globo) e “Escolinha do Barulho” (Record).

No “A Praça É Nossa”, também lançou o locutor Juvenal, conhecido pelo bordão “Numa velocidade…”. Entre seus personagens, está ainda Ranulpho Pereira, um aposentado reclamão que participou de “Uma Escolinha Muito Louca” (Band).

Em 2014, atuou sem máscara na série “Amores Roubados” (Globo), como o padre José. Nos últimos anos da carreira, também se apresentava com o espetáculo “Eles sou eu”, uma síntese dos quase 30 anos de trabalho, na qual revivia alguns de seus principais personagens.

O personagem Fofão foi um dos homenageados pela escola de samba Rosas de Ouro em 2014. “Fico abismado com a reação do público. Fofão fez 30 anos em 2013 e as pessoas querem fazer foto comigo. Hoje em dia participo de eventos para adultos. Pessoas que me viam quando criança”, disse Pessini ao G1 antes do desfile.

Fofão no Balão Mágico, em 1984 (Foto: Reprodução/TV Globo)

Fofão no Balão Mágico, em 1984 (Foto: Reprodução/TV Globo)

 

O Macaco Sócrates, um dos primeiros personagens de Orival Pessini, criado na década de 1970 e que integrava o programa 'Planeta dos Homens' (Foto: Reprodução/TV Globo)

O Macaco Sócrates, um dos primeiros personagens de Orival Pessini, criado na década de 1970 e que integrava o programa ‘Planeta dos Homens’ (Foto: Reprodução/TV Globo)

 

Fofão e crianças do programa 'Balão Mágico', entre elas a atriz Simony, na década de 1980 (Foto: Reprodução/TV Globo)

Fofão e crianças do programa ‘Balão Mágico’, entre elas a atriz Simony, na década de 1980 (Foto: Reprodução/TV Globo)

 

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Poucos artistas se tornam donos de um formato ou estilo. No Brasil, Orival Pessini se tornou único na confecção e interpretação de personagens com máscaras de borracha.

O indefinível Fofão, o hippie Patropi e o símio Sócrates do humorístico Planeta dos Homens foram seus personagens mais famosos. Apesar de ter o rosto encoberto, Pessini conseguia impressionante expressividade.

A máscara enrijecida ganhava vida, literalmente. E aquela aparência surreal exalava carisma. Tentativas de imitá-lo se mostraram simpáticas; contudo, ninguém conseguiu atingir a mesma originalidade.

Inconfundíveis, seus personagens tinham em comum o humor debochado, às vezes cínico, que era a marca da personalidade de seu criador.

Orival Pessini, assim como tantos outros artistas igualmente fenomenais, foi desprezado pela TV. Nos últimos anos fez trabalhos eventuais, aquém do espaço merecido.

Quem o viu em cena sabe que ele tinha uma produção artística variada que poderia ter sido aproveitada pelos humorísticos exibidos atualmente. Era também bom ator quando estava de ‘cara limpa’.

Uma das últimas aparições aconteceu no programa Pânico, na Band. Ele foi entrevistado para comentar o sucesso do cover de Fofão no grupo de dançarinos Carreta Furacão.

Sem perder o bom humor, o artista reclamou não ter sido consultado a respeito do uso de seu personagem mais popular – idolatrado por diferentes gerações de telespectadores – em performances divertidamente bizarras.

No fundo, ele parecia se sentir homenageado e, de certa maneira, contente em constatar que o Fofão original, mesmo fora da TV, continuava a inspirar e entreter.

E continuará, mesmo com a morte de seu criador. Fofão é eterno.

Fontes: Textos copiados do G1 e Terra.


Globo fará nova versão do humorístico “Os trapalhões”. Será que vai dar certo?

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Seguindo o sucesso de remakes com o da Escolinha do Professor Raimundo, a Globo estuda retomar agora o humorístico Os trapalhões. Sucesso entre as décadas de 1970 e 1990, o programa mostrava as histórias do quarteto Didi, Dedé, Mussum e Zacarias.

— Achei muito boa a sugestão e só pedi para não ter substitutos porque o quarteto é insubstituível. Tem que ser com imitadores, como na Escolinha. Fiquei feliz, é uma grande homenagem. Toda ideia nova é boa, desde que bem realizada — disse Renato Aragão ao site Ego.

O projeto, com estreia prevista para 2017, está sendo capitaneado por Ricardo Waddington, que também dirige a nova Escolinha. A emissora vai escolher novos atores para os protagonistas, mas o programa deverá contar com a participação de Renato Aragão e Dedé Santana. Eles podem interpretar tios de seus personagens originais. Mussumzinho está cotado para reviver o papel que foi de seu pai, Mussum.

A ideia é produzir 12 episódios de 30 minutos cada na primeira temporada. Segundo a colunista Patricia Kogut, a Globo planeja exibir o novo Os trapalhões nos domingos na faixa das 13h.
Fonte:  Zero Hora

He-Man terá episódio inédito e crossover com Thundercats

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A febre dos remakes dos anos 1980 ganhará novo capítulo nos próximos dias quando a animação He-Man e os defensores do universo ganhar um episódio inédito. Exibida originalmente entre 1983 e 1985, a série fez muito sucesso no Brasil quando foi exibida pelo programa Xou da Xuxa (da Globo), tendo ganhado até linha de brinquedos — atualmente, a série é reexibida pelo canal infantil Gloob. No início dos anos 2000, um remake já tinha sido produzido para o canal Cartoon Network. A trama acompanha He-Man em uma luta para proteger o reino de Eternia do super vilão Esqueleto.

Chamado The curse of the three terrors, o episódio será exibido na quarta -feira, um dia antes do início oficial da Comic-Con em San Diego (Estados Unidos).

Em junho a DC Comics e a Mattel anunciaram que farão um crossover entre He-Man e ThunderCats — outra animação popular nos anos 1980 — para uma HQ com estreia prevista para outubro. Em seis partes, a série será publicada mensalmente a partir de 5 de outubro. A nova trama vai colocar o vilão de ThunderCats, Mumm-Ra, em missão para adquirir a Espada do Poder de He-Man para poder destruir os ThunderCats. Seu plano acaba criando uma grande crise que junta Lion-O, Cheetara, Tygra, Panthro, WilyKit e WilyKat com He-Man, Gato Guerreiro, Teela, Mentor e o resto dos Mestres do Universo.

Fonte: Zero Hora


Google faz homenagem ao Chaves, porém em data não confirmada

O navegador Google homenageia a Vencidad CH, mas se atreve a dar um dado que não é confirmada por quaisquer meios oficiais.

Com um doodle muito criativo, o navegador do Google faz homenagem ao programa nº 1 da televisão humorística, mas há algumas observações que fazem duvidar da veracidade dos dados.

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Segundo o Google, o primeiro episódio do programa foi lançado em 20 de junho de 1971, mas de acordo com nossas conclusões baseadas neste tempo de admiração pelo trabalho de Chespirito, podemos concluir que não há dados oficiais para confirmar que o primeiro episódio do programa foi transmitido nessa data.

A confusão do Google é que há muitos anos um rumor iniciado por um tributo para Chespirito em uma revista, em que o referido meio publicou essa data como a primeiro exibição de um episódio do programa. Essa informação nunca foi apoiada por meios de comunicação oficiais.

Como conhecedores da obra de Chespirito e todas as informações que recolhemos, podemos confirmar que, hoje, há um fato que nos faz conhecer a data original da primeira aparição do personagem Chavo del Ocho na televisão.

O especialista em Chespirito contactado  no Equador, Renato Castro, partilha conosco algumas informações sobre o assunto e vale a pena publicar para incentivar um pouco de dúvida se realmente é o 20 de junho aniversário do programa. Em seguida, a informação obtida:

* Como um primeiro erro nestas informações, devemos dizer que o 20 de junho de 1971 era domingo, mas naquele ano o programa “Chespirito” foi transmitido na quinta-feira.
*
Como se sabe, ele é creditado como o primeiro esboço do Chavo, aquele em que o personagem não tinha nome, mas era simplesmente uma criança que estava caminhando por um parque, e há uma outra menina (María Antonieta de las Nieves) e um vendedor de balões (Ramón Valdés). Correlacionando-se com outras informações, pode ser que um outro personagem tem sido o pai desta criança (Ruben Aguirre). No entanto, não há muitos detalhes sobre este episódio (nem mesmo Televisa voltou a transmitir o vídeo), nem foi confirmada, pelo menos, que foi emitido no ano de 1971.
*
Se formos para o mais real, o programa “El Chavo” abre oficialmente (como esquete no programa “Chespirito”) em abril ou maio de 1972, em uma data não confirmada, mas que se situa entre 27 de Abril e 25 de maio, também uma quinta-feira.

Com estas revelações vale voltar a reformular a pergunta: é realmente o 20 de junho de 1971 a data original da primeira aparição do Chaves na TV?

Ainda assim, o Google fez uma grande homenagem para a Vencidad CH.

Traduzido de Vencidad CH

Maria Antonieta De Las Nieves, a Chiquinha do Chaves, aceita Jesus como Salvador

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A atriz mexicana Maria Antonieta de las Nieves, ficou conhecida internacionalmente por seu papel como “Chiquinha” no programa “Chaves”. Segundo o site Mundo Cristiano, ela aceitou Jesus como seu Salvador publicamente durante a cruzada evangelística que Luis Palau fez em Nova York.

Um vídeo postado na página da cruzada no Facebook mostra que a personagem era uma das atrações para as crianças que estariam presentes no evento.

Ruben Proietti, presidente da Aliança Cristã das Igrejas Evangélicas da Argentina (ACIERA) e membro da equipe do evangelista Luis Palau, deu uma entrevista ao site da rede CBN dia 9 de dezembro.

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Ele conta que no final da cruzada, quando foi feito o apelo, Nieves repetiu a oração, juntamente com milhares de pessoas. Depois, recebeu o livro dado para aqueles que demonstraram querer seguir a Jesus.

“Assim que confirmamos que ela tinha tomado essa decisão… Imagine nossa alegria”, disse Proietti. A atriz está sendo discipulada e semana passada, novamente vestida como Chiquinha, participou de um festival evangelístico no Paraguai. Promovido pelo evangelista paraguaio Juan Cruz Cellammare, ela visitou escolas e uma prisão feminina.

Onde vai ela tem compartilhado uma mensagem de esperança as pessoas.

Cellammare contou que após a atividade na prisão, durante uma coletiva de imprensa, Nieves abraçou a Bíblia junto ao peito e disse que através da Palavra de Deus as vidas podem ser transformadas.

Fonte: Gospel Prime


A Lógica dos Crossovers de Tokusatsu

Texto originalmente publicado no Henshin Journey por Rafael de Jesus
(rafaeldjesus@hotmail.com)

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Desde que a TOEI ingressou no mundo dos tokusatsus, ela produz crossovers entre suas séries, como atrações a mais para serem exibidas no cinema e em ocasiões específicas na TV. Porém tais encontros não agradam muito aos fãs ocidentais em alguns aspectos, pois a impressão inicial é que não há uma lógica única para conectar as franquias da TOEI. O que de fato é verdade, diferente da lógica dos “filmes de encontro” no ocidente. Cada filme estabelece o seu “realismo” e não há o compromisso de coerência com os crossovers anteriores e séries originais. Esses filmes também são conhecidos por trazerem de volta personagens que já estão mortos ou inativos ao fim de suas séries. Também são oportunidades para que os personagens tenham suas personalidades deslocadas temporariamente (muitas vezes fingimento por parte dos heróis para enganar os antagonistas, passando-se por seus aliados) a fim de acentuar o drama do plot.

Uma queixa recente foi em relação ao crossover entre Kamen Rider Drive (2014-2015) e Shuriken Sentai Ninninger (2015). Os dois Super Hero Taisens (2012 e 2013), crossovers entre as franquias Kamen Rider e Super Sentai, haviam “estabelecido” que todos os heróis de ambos os universos habitavam o mesmo mundo. Então veio Kamen Rider Drive vs. Shuriken Sentai Ninninger: The Movie (2015) e sugeriu que Kamen Riders e Super Sentai Heroes habitavam dimensões diferentes.

Super Hero Taisen Z (2013)

Super Hero Taisen Z (2013)

No ocidente, cuja literatura e narrativas em geral prezam pela coerência e continuidade, tais variações soam para nós como desrespeito aos personagens por parte da TOEI e de seus roteiristas.

Para entender esta “incoerência” precisamos entender primeiro alguns elementos da estética da arte japonesa.

“O sistema de representação tem por função representar, assumindo a realidade crua como objeto. O sistema de apresentação, por outro lado, tem a função de apresentar, possuindo diversas manifestações de estilo, porém sem o compromisso de assumir a realidade crua.”

– Donald Richie em A Hundred Years of Japanese Film – A Concise History (2005), p.11

 

“…Entre outras ideias, a estética oriental sugere que estruturas ordenadas forjam, que a exposição lógica falsifica e que a linearidade eventualmente limita.”

– Donald Richie em A Tractate of Japanese Aesthetics (2007), p.6

 

“…Muitos escritores prezam pela qualidade da indecisão na estrutura de seus trabalhos. E algo muito lógico e muito simétrico é evitado…”

– Donald Richie em A Tractate of Japanese Aesthetics (2007), p.6

 

“…Então, se estética no Ocidente está principalmente ligada às teorias da arte, no Japão está ligada a questões de gosto [estética].”

– Donald Richie em A Tractate of Japanese Aesthetics (2007), p.23

 

A televisão japonesa tem raízes de estilo e storytelling no cinema, teatro e literatura locais, conjugadas com diversos outros elementos herdados do audiovisual ocidental, onde a construção estética está acima da construção narrativa (em diversos níveis), sem compromisso com uma representação (e/ou emulação) da realidade. Há construção de realidade, mas cada obra fabrica a sua. Apresentar uma situação de espetáculo de forma livre é dominante sobre uma narrativa realista, linear e prosaica. Este paradigma vem sendo suprimido ao longo das décadas pela maior influência do cinema ocidental que é lógico, racional e linear. Porém este modo de pensar nunca morreu, pois é algo intrínseco da cultura japonesa em diversos segmentos, não só da arte, mas também da forma de observar e apreender o mundo.

Super Sentai World (1994)

Super Sentai World (1994)

Uma prova de que tal modelo está vivo são os “filmes de encontro” de tokusatsu (não somente os da TOEI, mas também os da Tsuburaya e filmes especiais de animes). O desejo de juntar personagens que jamais deveriam se encontrar (e de deslocá-los do contexto das séries) é maior que o formalismo narrativo. Não há impossibilidades quando se tem o dispositivo cinema. O desejo pela concretização do espetáculo estreita a manifestação da narrativa lógica que é agente limitador da criatividade. Tais filmes falam da imaterialidade e atemporalidade de personagens que se tornaram ícones, sendo invencíveis até mesmo para as regras do tempo e do espaço, de tal forma que não há necessidade de um subtexto que articule um ponto de vista realista. O autor tem uma ideia e irá apresentá-la ao espectador, da forma que ele achar melhor, da maneira que faça o fã sorrir e se emocionar com os encontros e retornos milagrosos. Em outras palavras, tem a finalidade de fan service. Na iconografia dos tokusatsu nada se perde, tudo se recicla e ganha potência a cada incidência.

Aplicar o paradigma ocidental de narrativa para entender os processos narrativos japoneses só trará frustração. Devemos entender que o processo criativo deles é outro bem diferente do nosso, pautado em outros princípios que não encontramos no ocidente. Podem parecer estranhos numa primeira análise, mas se mostram autênticos e originais em estudos mais profundos. Então, devemos fazer o que os japoneses fazem em relação aos crossovers: se divertir sem precisar articular o filme num modelo realista, porque, no fim das contas, se pararmos para analisar, o cinema é uma grande fantasia, até mesmo os filmes ditos realistas e documentais.

Via: Senpuu