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Dave Mustaine e a orquestra sinfônica? Mega-sim!

Traduzido por Carla L Fillardi | Fonte: U-T San Diego

O líder e guitarrista do MEGADETH fala sobre seu iminente debut com a Orquestra Sinfônica de San Diego e o maestro-regente Ken-David Masur.

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O repertório para o concerto já esgotado de 12 de abril, com o guitarrista DAVE MUSTAINE e a Orquestra Sinfônica de San Diego, foi acordado por ambas as partes no ano passado: “Ária na Corda Sol” de Bach e os movimentos “Verão” e “Inverno” das Quatro Estações de Vivaldi. A escolha do maestro associado da Orquestra Sinfônica de San Diego, Ken-David Masur foi feita do mesmo modo. Ele tocou bateria numa banda de rock alemã chamada Odyssey, ainda adolescente.

O que ainda falta ser definido é exatamente o que MUSTAINE, o fundador da banda pioneira do thrash-metal, o MEGADETH, e membro-fundador do METALLICA, vai usar para o concerto no Jacobs Music Center, no centro da cidade. É sua primeira vez com uma orquestra e quão formal ou não seu traje será ainda não está claro.

“Eu só utilizei metade de um smoking em minha vida, exceto quando me casei”, disse MUSTAINE, um nativo de La Mesa que vive em Fallbrook com sua família. “E só porque estávamos no Hawaii e o único lugar que eu consegui encontrar um terno foi numa loja de aluguel de smoking. Mas, eu realmente não sei. Nós ainda não conversamos sobre como o traje deverá ser…”

Ele fala sobre a orquestra: “As pessoas não precisam vir com regatas e sandálias, ou qualquer coisa parecida. Mas, será um tipo de programa sombrio, até um certo ponto – não no sentido de mal ou algo parecido, mas apenas música realmente intensa. Então, tudo ainda está em aberto.”

Depois de seu debut com a orquestra, MUSTAINE, 52, sairá numa turnê mundial com o MEGADETH, a banda que ele lidera desde 1983. A turnê começa em 17 de abril em Las Vegas e termina em 10 de agosto na Inglaterra. Essa turnê levará ele e sua banda feroz e de som pesado a cruzar a América do Sul e a Europa, da Argentina até a Slovênia.

Mas, para o concerto de 12 de abril aqui, ele será o único membro do MEGADETH no palco com a orquestra sinfônica – como o solista em destaque, não menos.

“Symphony Interrupted,” DAVE MUSTAINE do MEGADETH com a Orquestra Sinfônica de San Diego.
Quando: 8 p.m., sábado, 12 de abril
Onde: Jacobs Music Center, 750 B Street, centro
Tickets: $30 and $70
Telefone: (619) 235-0804
Online: sandiegosymphony.com

Para Masur, que tem atuado como regente pelo mundo, trabalhar em conjunto com uma orquestra e um guitarrista representa quase uma jornada por águas musicais desconhecidas.

“É a primeira vez, sim”, disse Masur . “Eu tenho feito um monte de coisas que não está (incluído) no repertório normal, vamos dizer, de uma orquestra sinfônica, mas essa é a primeira vez que faço algo desse tipo. Em geral… nossas idéias e nossas conversas (com MUSTAINE) têm sido tão formidáveis e inspiradoras, eu acho, porque nós estamos como que na mesma frequência aqui, em termos de falar sobre a música, porque isso é realmente sobre a música e sobre ter esse respeito mútuo pelos ‘backgrounds’ uns dos outros.”

O preparo para seu debut na orquestra tem ampliado as perspectivas musicais de MUSTAINE. Também tem desenvolvido tremendamente suas habilidades. Ele riu quando perguntado sobre o que ele tem aprendido do estudo e da prática para seu iminente concerto com a orquestra.

“Hmmm. Como tocar muito bem no compasso de 3/4! Isso é muito difícil”, disse MUSTAINE.

“Para mim, (quando) você está tocando metal, bastante disso é um movimento repetitivo e é muito (tocado em) compasso de 4/4. Algumas vezes, o compasso pode saltar na velocidade e coisas desse tipo (e) ter uma parte que faz a conexão, mas não existe muito de coisas em 3/4 (no metal). Isso é bem interessante, especialmente se você está tentando encontrar a primeira marcação. A primeira marcação está num compasso 9/8 e, você sabe, o riff começa mesmo no 2 ou no 3, ao invés do 1, isso é muito difícil de fazer, também. Porque, de novo, eu fui numa aula de música na escola e o cara começou a falar do ‘círculo das quintas’, ou talvez fosse o ‘círculo das sétimas’, ou algo do tipo, e eu – eu apenas desisti, porque eu não conseguia entender aquilo. Era como chinês para mim.”

“As Quatro Estações” tem sido a muito tempo uma das favoritas das audiências em muitas partes do mundo. MUSTAINE tem percebido profundamente o quanto a peça mais conhecida e mais amada de Vivaldi é popular, tanto dentro quanto fora do mundo da música clássica.

“Eu não tinha noção de quão famosos esses (movimentos) eram até eu aprendê-los e começar a ouvi-los em todos os lugares, como em comerciais de carros, comerciais olímpicos”, ele disse. “(Foi como) ‘é aquela música! É aquela música. Aaaah!’ Então, decidimos que queríamos incluir um pouco mais…

“Quando comecei a realmente a pegar isso pela parte do violino principal, ela não tinha verdadeiramente uma parte que parecesse para mim como algo destacado. Então, nós pegamos o programa e lá tem uma outra música que tem uma atmosfera interessante e então eu vou aparecer e tocar. E então nós vamos ter um intervalo e daí ocorrerá uma outra parte do programa. E nós estamos conversando sobre tocar novamente (juntos) durante essa parte, mas ainda é algo que está suspenso no ar. E nós também estamos falando sobre tentar incorporar alguma coisa do MEGADETH nisso.”

“Nesse momento, tem sido tão tranquilo para mim ser capaz de fazer isso e todos estão trabalhando tão bem juntos, (então) quem sabe o que vai acontecer?”

Masur concordou com a cabeça.

“Você tem que basicamente pintar esse quadro – ou as estações – e Dave terá algumas gravações que ele irá escutar”, apontou o maestro. “Mas, no fim das contas, ele vai fazer o dele no momento e tentar pintar isso. O motivo dessa (composição) estar por aí (e) ser tão popular, e você provavelmente ouvi-la por todo lado, é porque é uma das primeiras peças musicais que é especificamente descritiva.

“Assim, não se trata de uma música absoluta que não tem uma descrição dela. Mas, supõe-se que é para ser uma estação, de modo que você tanto tem o verão, quanto o inverno, a primavera, você sabe, e você tem os flocos de neve – você meio que pode vê-los. Existem diferentes maneiras de interpretar isso e torná-lo seu. Assim, eu acho que nós vamos explorar isso da nossa própria maneira…”

Ao longo dos anos, um número de guitarristas notáveis têm incorporado elementos clássicos nos moldes do rock. A lista vai do co-fundador do DEEP PURPLE, RITCHIE BLACKMORE, no final dos anos de 1960, passando pelo destruidor (shredder) sueco YNGWIE MALMSTEEN, nos anos de 1980, a muitos outros desde então.

BLACKMORE ou MALMSTEEN serviram de inspiração para MUSTAINE?

“Bem, eu tenho total respeito por esses dois guitarristas”, ele respondeu. “Para mim, toda a coisa clássica surgiu bem mais cedo do que qualquer um desses dois cavaleiros. Veio ouvindo à Invasão Britânica, que trazia o LED ZEPPELIN, e um monte de temas medievais das músicas eram bastante dramáticos e contavam uma história. Ou com os BEATLES e Sir GEORGE MARTIN fazendo todas as camadas de cordas no background (das músicas deles) e de coisas como essas.

“Porque, você sabe, existe um monte de magia por detrás daquelas gravações… o ‘atrativo’. Assim, eu sabia que isso podia ser feito. Um dos meus guitarristas favoritos, classicamente preparado de verdade, que já tocou numa banda de rock foi RANDY RHOADS (falecido guitarrista de OZZY OSBOURNE). Porque era do tipo clássico… mas (diferente da) interpretação de clássico de alguém, como simplesmente (um monte de notas de guitarra) por todo canto, como, digamos, por exemplo, RITCHIE BLACKMORE. RITCHIE BLACKMORE é muito, muito talentoso e eu cresci ouvindo ele.

“Mas para mim, especificamente – a forma como nós fomos introduzidos às coisas de Vivaldi foi porque isso era meio como, como um modo meio triste. Eu nem sei – Eu sou autodidata – Assim, eu nem sei o que eu estou fazendo, eu apenas faço. Então, ouvindo os solos (de RHOADS) lá, eles simplesmente tinham aquele colorido, aquela atitude, isso realmente me atraiu. Como quando eu estava ouvindo alguma coisa que RANDY faria em cima das letras de OZZY.”

Nos anos de 1980, o maestro Simon Rattle e a Orquestra Inglesa de Câmara gravaram um de muitos álbuns célebres dedicados às “Quatro Estações”. A lista retrocede décadas atrás e os adoradores apreciam comparar as diferentes abordagens interpretativas dos diferentes maestros, orquestras e solistas.

MUSTAINE tem alguma versão favorita das composições (opus) ouvidas de Vivaldi? De fato, ele tem.

Ele menciona as diversas performances das “Quatro Estações” executadas pelo ícone do violino ITZHAK PERLMAN, o qual o guitarrista tem estudado tanto no formato gravado quanto através de vídeos no YouTube.

Usando as versões padrão-de-ouro de PERLMAN como seu barômetro estético, ele estabeleceu uma marca arrojada para si mesmo, especialmente quando se trata de transpor solos complexos de violino para a guitarra. Esse alto patamar, MUSTAINE enfatizou, é exatamente seu objetivo.

“Eu devo me prender à versão de PERLMAN; eu gostaria de poder ter encontrado algo, tipo, uma versão em câmera-lenta disso!”, ele disse rindo. “Mas, esse é o desafio que eu aceitei e eu adoro desafios, então assistindo ele…

“De fato, nós viemos ao Copley Symphony Hall e ele estava lá (para fazer um concerto). E eu encontrei com ele e isso foi realmente bom para mim. Porque eu não fico completamente intimidado e fascinado por estar diante de alguém famoso, só existem algumas poucas pessoas que eu realmente, realmente, realmente admiro tanto – porque esse é meu trabalho. É como dois dentistas se encontrando, é seu trabalho, você sabe.”

Mas, no caso de PERLMAN, um super-astro do violino com prêmios suficientes para encher uma ala de um museu, MUSTAINE estava feliz em ser um fã arrebatado.

“Sim, eu estava excitado por encontrar com ele, eu realmente estava”, disse o guitarrista ruivo. “E eu falei (que) eu tinha visto essa coisa maluca no YouTube sobre o vibrato e que eu realmente não dei muita atenção para isso. Você sabe, quando você me perguntou se havia alguma coisa que eu realmente tinha aprendido, essa é apenas uma dessas coisas – vibrato, profundidade e velocidade e o wah-wah e coisas assim. Eu não estava mesmo destrinchando (a guitarra) muito, tampouco, e eu comecei a fazer um monte disso também. E muito disso veio (de) assistir ele.

“A única forma em que eu poderia fazer essa parte tão rápida quanto ele estava fazendo era aprendendo como tocar de algumas maneiras diferentes. Então, sim, meu jeito favorito é assistir as versões que ele fez. Mas, ele já fez muitas versões. Ele fez algumas com novos músicos jovens e eu acho isso legal. Porque eles eram músicos realmente jovens e eu bato palmas para todo mundo que começa a se dedicar a aprender música. E aí há os profissionais experientes com os quais ele está tocando que é melhor ser bom porque, você sabe, eles são todos artistas exímios.”

Adaptar o opus de Vivaldi para a guitarra para um concerto com uma orquestra é um sonho que se torna realidade para MUSTAINE. Ao falar sobre o trabalho, ele disse com um tom no qual havia partes iguais de orgulho, reverência e admiração.

“Isso é muito especial para mim”, MUSTAINE afirmou.

“Você sabe, eu nasci aqui em La Mesa. Crescer e ser alguém que vem daqui do Condado de San Diego e ser capaz de conquistar tudo que eu conquistei na minha carreira, e voltar aqui e fazer algo tão honrado como tocar com uma orquestra sinfônica. Quando você cresceu como um sem-teto ou, basicamente, um menino da ralé, e agora você está tocando com a orquestra sinfônica, é exatamente como as coisas que você vê em um filme.”

Há muito tempo, MUSTAINE tem sido um reconhecido, ainda que eventualmente problemático, guitarrista, cantor, compositor e líder de banda

Sob sua incansável direção, o MEGADETH já ganhou 11 indicações para o Grammy Award. A banda, que já enfrentou diversas mudanças no lineup ao longo dos anos, já vendeu aproximadamente 38 milhões de discos pelo mundo desde o lançamento do seu álbum de estreia de 1985, “Killing Is My Business … And Business Is Good!”

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Não obstante, ele mesmo confessa, a vida de MUSTAINE tem sido desafiadora, incluindo um número alarmante de episódios quase fatais envolvendo drogas e álcool. Em sua chocante autobiografia de 2010, “Mustaine: Memórias do Heavy Metal” (HarperCollins), ele escreveu que esteve 17 vezes na reabilitação antes de finalmente conseguir ficar limpo e sóbrio há alguns anos.

Durante tudo isso, a música o manteve seguindo em frente. Do mesmo modo, mais recentemente, sua fé enquanto um cristão renascido, cujas visões políticas conservadoras são raras no mundo do heavy metal e suas ramificações. Mas, até agora, uma colaboração numa orquestra estava fora do alcance da sua imaginação.

“Era demais para mim pensar que algo assim era possível”, ele reconheceu. “Porque, quando eu estava crescendo, uma das primeiras coisas que eu aprendi era ‘Panic in Detroit’ (de DAVID BOWIE), realmente fácil, coisas bem estúpidas. Sem ofensas ao compositor ou qualquer coisa do tipo, mas coisas muito fáceis, tocar acordes simples e tal.

“Então, a primeira parte de palhetadas que eu aprendi foi ‘All the Young Dudes’ (escrita por BOWIE), tocada pelo MOTT THE HOOPLE. E então eu cheguei à conclusão: ‘Tudo bem, eu quero ser um rock star!’ Eu comecei ouvindo as coisas do KISS e do LED ZEPPELIN. E aquelas eram as duas principais linhas de música que estávamos seguindo na minha geração, ou o lado do KISS ou o lado do LED ZEPPELIN.

“E eu estava mesmo confuso porque eu amava a parte do showbiz do KISS. Mas eu também amava a qualidade magnífica que acompanhava a abordagem do LED ZEPPELIN ao escrever música, que eu acho que é realmente o que prevalece na música clássica, que faz total sentido para mim e faz esse círculo completo voltar ao porque faz sentido ter um guitarrista de metal tocando essas músicas com uma orquestra. Parece exatamente que se houvessem guitarras lá atrás, teria sido perfeito…”

Masur concordou com a cabeça e sorriu.

“Em nosso primeiro encontro, eu notei que DAVE é um músico muito formidável e sensível”, disse o maestro de cabelos escuros, um nativo de Leipzig, Alemanha.

“Quando você pensa em músicos de rock ou pop stars, algumas vezes você pode não achar que eles sejam muito sensíveis, em termos de conhecer bastante de música e de olhar para isso naquela perspectiva (séria). Mas, nesse caso, foi perfeito, e foi por isso que nossas conversas foram realmente, realmente bem sobre a programação e sobre como juntar aquelas coisas.

“Mas, sim, essa é a primeira vez que eu faço alguma coisa com um guitarrista superestrela do rock!”

“A responsabilidade é toda minha!”, um MUSTAINE sorridente adicionou, antes de ficar mais sério.

“Uma das coisas mais importantes que eu quero conseguir é fazer com que as pessoas que são meus fãs, que são da minha geração e do meu gênero musical descubram o respeito pelo clássico que eu tenho”, ele disse. “E que vejam lá o que eu vejo e que vejam o quanto ele realmente influencia a música que é parte do mundo do rock.”

A participação de MUSTAINE com a Orquestra Sinfônica de San Diego irá se estender para além do concerto de 12 de abril?

“Uh, nós, uh, sim, eu penso que sim”, ele respondeu. “Eu não sei se esperam que eu diga algo, então talvez seja melhor deixar isso para outra entrevista”.

Masur educadamente recusou quando perguntado se, diante das câmeras filmando essa entrevista, ele tocaria “air guitar” seguindo MUSTAINE (que também declinou) regendo por meio de “air conducted”.

Ambos abriram um sorriso largo.

“(Isso ficará para nossa) segunda entrevista!”, MUSTAINE disse enquanto Masur riu com ele. “Quando eu voltar. Eu vou praticar quando chegar em casa.”

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